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Mestre de capoeira é morto a facadas após declarar voto no PT

Após discutir com um simpatizante de Jair Bolsonaro, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Mestre Moa, tomou várias facadas nas costas e não aguentou os ferimentos.

Moa do Katendê, como era conhecido o artista Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira 8, em Salvador. Após discutir com um simpatizante de Jair Bolsonaro, em um bar na região central da cidade, o mestre de capoeira tomou várias facadas nas costas e não aguentou os ferimentos.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, o agressor teria gritado frases de apoio ao militar reformado. Romualdo, então, afirmou que ali o pessoal apoiava Fernando Haddad, PT. Era cerca de 2h40 da manhã quando o homem atacou Romualdo e o primo, Germinio do Amor Divino Pereira, que o acompanhava.

Quando a polícia chegou, Paulo César Ferreira de Santana havia fugido, mas foi logo encontrada em uma casa próxima. Ele confessou o crime por motivação política. Afirmou ainda que estava bebendo desde a manhã de domingo e que, ao ser xingado por Romualdo, foi até a sua casa buscar uma faca. Ao voltar, encontrou Romualdo sentado e o golpeou nas costas e pescoço.

Germinio sofreu alguns ferimentos no braço, foi levado a um hospital e passa bem.

Romualdo era músico, mestre de capoeira, compositor, artesão e ativista do movimento negro da Bahia.

História

Mestre Moa do Katendê nasceu em Salvador, em 29 de outubro de 1954, no Bairro Dick do Tororó, Vasco da Gama, próximo ao Estádio Fonte Nova. Teve o privilégio de vir ao mundo, justamente, na terra que também é berço de grandes mestres da capoeira, tais como; Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi aluno diplomado pelo mestre Bobó. Iniciou-se na arte da capoeira aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola 5 estrelas.

Entretanto, às vezes, é necessário a um mestre, sair de sua terra, deixar as sementes de suas origens, para plantá-las em outras terras. Misteriosos: assim são os caminhos da vida. No momento não compreendemos porque uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, mas depois, com o decorrer do tempo, tudo se torna claro como as cristalinas águas que se abrem em véus ao cair das cachoeiras, no meio das matas.

Isso também aconteceu com o capoeirista baiano, como conta o site Angola Angoleiro Sim Sinhô:

“Aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida”.

Cumprida essa missão, Moa retornou à Bahia para dar continuidade aos trabalhos em sua terra natal.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira. Capoeira Portal Capoeira

Desde que foi chamado pelas forças astrais superiores para defender para defender os valores e a cultura de seu povo, Mestre Moa tem se esforçado por ser um facho que brilha sobre o mundo das culturas, cujo berço tem origem na Mãe África. Imbuído dessa missão, Mestre Moa seguia pelo Brasil e pelo mundo desenvolvendo palestras, workshops e cursos no Brasil e no exterior, nos quais mostrava as riquezas da cultura afro-brasileira.

Mestre Moa do Katendê: “A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais”

Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

 

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