Cosmopolita

Você está passando por um novo trânsito astrológico*

‘Não importa qual seu signo, o viciado ou viciada em signos sempre terá uma explicação para o seu humor do dia ou para o relacionamento que não deu certo’. Por Edianne Nobre.

Por Edianne Nobre**

– Tudo o que eu preciso fazer
é achar esse homem de Libra!
(Little Edie, escorpiana.
GreyGardens, 1975)

Desperto de mau humor e não sei se a culpa é do meu Vênus em oposição ao Mercúrio natal ou do Marte na Casa 4. Conheço uma pessoa nova e pronto! Em cinco minutos me apaixono e já consigo visualizar até os rostinhos dos nossos filhos e o nome da cada um deles: maldita Lua em Peixes!

Desde tempos imemoriais, o ser humano busca uma explicação fora de si para as coisas que acontecem na vida. É mais fácil culpar as estrelas do que reconhecer que o problema está na forma como vemos o mundo e nos relacionamos com ele. É mais fácil procurar por um perfil pronto no Mapa Astral do Personaree conformar-se com ele, do que fazer análise.

Por outro lado, também tenho uma amiga que faz terapia, problematiza suas questões e não acredita em Astrologia, mas se identifica com todas as características do seu signo solar. De fato, crer, ou não, na Astrologia não é o problema. Nunca foi.  Ter fé é uma particularidade do ser humano, todos nós tendemos adepositar nossa confiança em algo. Até quem diz que não acredita precisa acreditar que não acredita, saca?

A crença, de modo geral, dá sentido às coisas que nós não conseguimos elaborar de modo racional e organizado. Afinal, como explicar um relacionamento frustrado se não pelo fato do cara ser um insensível Capricorniano, um Escorpiano psicopata ou um Sagitariano individualista? É mais fácil colocar a culpa no outro do que procurar as respostas em si mesmo.

Aliás, muita gente não sabe que o Horóscopo é um dos instrumentos de autoconhecimento mais antigos que existem, aparecendo em diversas culturas, tanto orientais quanto ocidentais. Estima-se que desde, aproximadamente, 10.000 a.C., mesopotâmicos e egípcios já utilizavam a Astrologia para determinar a influência que os astros teriam sobre as plantações e sobre os ciclos de vida e morte.

Segundo a Associação Portuguesa de Astrologia, os primeiros registros que sistematizam o Zodíaco datam do século 7 a.C., tendo sido criado para representar as 12 constelações que demarcavam, naquele momento, o caminho que o Sol percorria no céu. Cada constelação era representada por um signo, por sua vez, simbolizado por um animal ou personagem, em sua maioria, baseados nos mitos gregos, daí o nome, Zodíaco que, em grego, significa “círculo de animais”. O Horóscopo ou o Mapa Astral é, em resumo, o desenho das constelações no céu, em um determinado dia e hora.

[Imagem: Oi, Aure! noTumbrl]

 

Um fenômeno intrigante que despertou minha curiosidade aquariana é a proliferação recente das páginas de humor sobre Astrologia nas redes sociais, e, com elas, a quantidade de pessoas que perguntam o nosso signo, até mesmo, antes de perguntar o nome. As páginas satirizam comportamentos, relacionando-os aos arquétipos e características dos signos, criando estereótipos forçados e quase definitivos.

Esse fenômeno chamou a atenção para um personagem que existe há tempos, mas que andava meio esquecido: “o(a) viciado(a) em signos”. Tenho alguns amigos que vestem bem esse personagem, outros que o abominam. Não importa qual seu signo, o viciado ou viciada em signos sempre terá uma explicação para o seu humor do dia ou para o relacionamento que não deu certo: “Claro que Aquário e Touro não combinam, né amiga? Aquário é um signo de ar, sonhador e altruísta, enquanto os Taurinos pertencem ao elemento Terra e são teimosos e egoístas”. Não importa se, na verdade, aconteceu que os dois estavam em momentos diferentes da vida, buscando coisas distintas e, portanto, incapazes de se colocarem no lugar do outro, problema que vai muitoalém de qualquer receita astral.

O viciado em signos consegue do alto da sua formação educacional baseada nas revistas do charmoso João Bidu ou no Astrodienst (na versão gratuita, obviamente) definir as pessoas. Um dia, por exemplo, ouvi uma colega dizer que “Nunca namoraria um virginiano”, segundo ela, virginianos são extremamente metódicos, autoritários e ciumentos. Olhando nos olhos dela, vi que falava sério. Nesse caso, não sei se é pior ser virginiano ou ser a moça que depende da astrologia para se relacionar.

o que cada signo está procurando

[Imagem: “O que cada signo procura”. Página do Facebook – Filhotes de João Bidu.]

 

Creio que as maiores vítimas desse algoz são os cancerianos e piscianos. Pertencentes aos signos de água são considerados carentes, pegajosos e extremamente sensíveis, ou seja, diante de um exímio viciado em signos, estes pobres coitados só conseguem chorar.

Arianos, virginianos e capricornianos também sofrem bastante bullying por conta de seus temperamentos extremamente irritadiços, embora, o viciado em signos deva ser bastante cuidadoso ao criticar qualquer um desses signos, correndo o risco de perder alguns dentes no processo.

Escorpianos também precisam lidar com os caçadores de signo alheio, pois são conhecidos como o signo mais sexual do Zodíaco. Vivendo um desejo inconsumível, estas pobres criaturas são perseguidas por seu temperamento sanguíneo, viril e vingativo. Para o escorpiano, o objeto do desejo é como aquela torrada que quando cai da sua mão, cai sempre com a manteiga virada pra baixo. Em um minuto, a desejavam, agora, frustrados, só querem que ela suma.

Sagitarianos, leoninos e aquarianos, talvez, sejam os únicos signos que não padecem com os ataques implacáveis do viciado em signos, pois do alto da sua majestade, realmente não se importam com o que os outros pensam (ou fingem não se importar).

Para compensar, acredito que o viciado em signos se realiza mais plenamente, quando encontra na sua frente alguém dos signos de Gêmeos ou Libra. As pessoas marcadas por esse estigma, digo, esse signo, são considerados instáveis e bipolares. De natureza dúbia, mudam de ideia facilmente, sendo suscetíveis às manipulações ardilosas do personagem em questão.

Brincadeiras à parte, quero chamar atenção para essa mania que temos de classificar as pessoas ou de justificar nosso comportamento com algo externo. Olhar para si é algo extremamente difícil.Em minha opinião, o Mapa Astral é também um instrumento válido de análise porque nos conduz em um caminho de reflexão. Quando nos deparamos com as características dos nossos signos, imediatamente, fazemos associações com nosso comportamento cotidiano e nosso jeito de ver as coisas. Muitas vezes, somos impelidos a assumir que possuímos algumas características que, na realidade, não gostaríamos de ter.

A questão é: o que você faz para mudar? O problema não é nosso signo, mas rotular e descartar é mais fácil do que investir no conhecimento de si e do outro. Temos preguiça de nos envolver e do esforço que requer nos conhecermos e conhecer alguém verdadeiramente.

Assim, se despoje do preconceito e reflita sobre o que os astros dizem sobre você. Não tenha medo, e,da próxima vez que você conhecer uma aquariana maravilhosa, tente não julgá-la e a convide para um café. Quem sabe, vocês não foram feitos um para o outro?

 

* Título extraído do site Personare.

** Edianne Nobre é contadora de histórias, aquariana-leonina e filha de Oya. Já morou em algumas cidades do mundo e agora vive em Petrolina. Antes de morrer quer viajar muito mais, saltar de paraquedas e dançar um tango em público.