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Produção coletiva de forragens gera bons resultados em Juazeiro

A prática, chamada de Ensaio Forrageiro Agroecológico, está sendo desenvolvida em uma área de meio hectare, doada por um dos moradores da comunidade. Foram plantadas gliricídia, sorgo, moringa, palma, guandu, mandacaru, leucena e gergelim, sendo que este último tem características repelentes, o que ajuda a proteger a plantação.

Agricultoras e agricultores da comunidade de Fundo de Pasto Cachoeirinha, no município de Juazeiro, estão experimentando, de maneira coletiva, a produção e o armazenamento de alimento para os animais.

A prática, chamada de Ensaio Forrageiro Agroecológico, está sendo desenvolvida em uma área de meio hectare, doada por um dos moradores da comunidade. Foram plantadas gliricídia, sorgo, moringa, palma, guandu, mandacaru, leucena e gergelim, sendo que este último tem características repelentes, o que ajuda a proteger a plantação.

De acordo com o agricultor Iremar Conceição, após a limpeza da área e plantio, o grupo fez a distribuição de responsabilidades com o cuidado da área. São diversas atividades desenvolvidas e tudo de maneira planejada. “Essa divisão foi feita por família… Para molhar a gente já fez o cronograma anual. Todo mundo sabe sua data”, pontua Iremar.

Dois meses e meio após o plantio do sorgo o grupo já colhe os “frutos” do trabalho. O primeiro corte do sorgo rendeu 1.600 kg de forragem, que foram totalmente triturados e armazenados em sacos e bombonas para serem utilizados em momentos de escassez de alimento na Caatinga. “A gente está muito satisfeito, porque a gente começou a pouco tempo esse trabalho e a gente já está começando a colher frutos. A tendência é a gente ir melhorando aquela área”, comemora Iremar.

Metodologia

A colaboradora do Irpaa Daiane Dantas conta que tudo começou durante uma roda de aprendizagem, quando as famílias apresentaram suas limitações, possibilidades e experiências na criação de animais. “Não veio nada pronto. A gente construiu tudo com o território, que são as quatro comunidades: Lagoa do Meio, Cachoeirinha, Canoa e Curral Novo”, explica Daiane. A principal limitação apresentada pelas famílias foi o alto valor gasto com a alimentação do rebanho. Diante disso, o grupo construiu com o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – Irpaa e a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR a proposta do Ensaio Forrageiro Agroecológico.

As rodas de aprendizagem têm base em sugestões das/dos agricultoras/es e informações contidas nos diagnósticos realizados pela/o técnica/o que assessora a comunidade, afirma Victor Leonan, Técnico em Desenvolvimento da CAR. De acordo com o representante da CAR, “o técnico tem um papel problematizador. Por exemplo, tem uma área de palma que tem três espaçamentos diferentes [entre as fileiras de plantio]: o que nós propomos [CAR e Irpaa], o que eles propuseram e um espaçamento que a gente mesclou”, explica.

Segundo Victor, após a roda de aprendizagem cada técnica/o faz um relato de experiência, onde sistematiza o evento e depois socializa com demais integrantes da equipe. Victor afirma que as rodas de aprendizagem proporcionam aos técnicos/as trocar experiência com agricultores/as e colegas. A metodologia também possibilita que “as famílias reflitam a partir de sua prática, com base na concepção dialógica proposta por Paulo Feire”, completa Victor.

De acordo com a colaboradora do Irpaa, a ideia é que as famílias agricultoras “tenham como exemplo esse ensaio e peguem as sementes e mudas dessa área para multiplicar em suas áreas individuais”, projeta Daiane Dantas.

Organização comunitária e trabalho coletivo

A colaboradora do Irpaa destaca a organização da comunidade como um fator essencial para o resultado positivo do experimento. Segundo Daiane, com os mutirões a comunidade fez a limpeza da área, reforma da cerca, plantio, montagem do sistema de irrigação e tem cuidado dos plantios.

Daiane também enfatiza a importância econômica de produzir a alimentação animal na propriedade e ainda chama atenção para a necessidade de diversificação dos alimentos. “Essas plantas são muito importantes, porque você vai aproveitar o que está na propriedade, não precisa comprar e vai ter a diversidade. Os animais precisam dessa diversidade, precisam de vários nutrientes encontrados nessa alimentação”, detalha a técnica do Irpaa na comunidade.

O Irpaa executa o Pró-Semiárido em Cachoeirinha e em outras comunidades do Território Sertão do São Francisco. O projeto é fruto de um acordo de empréstimo entre o Governo do Estado da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – Fida, com execução da companhia de desenvolvimento e ação regional – CAR, órgão da Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR.

 

Texto: Comunicação Irpaa

Fotos: Iremar Conceição e Alane Naiara

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