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Mês da comunicação popular inicia com discussão sobre combate à desinformação

No Brasil de tantas diversidades, os meios de comunicação estão concentrados nas mãos de uma pequena parcela da sociedade.

Foto: Divulgação

A importância da comunicação popular, o combate à desinformação ou Fake News e o interesse por traz da “estratégia” da desinformação foram pontos debatidos no seminário de abertura do Mês da Comunicação Popular realizada nesta segunda-feira (02), com transmissão através do canal da SDR Bahia no YouTube. O painel temático mediado por Elka Macêdo do Pró-Semiárido, contou com a participação de Manuela Conceição do Carrapicho Virtual e de Patrícia Paixão do Intervozes.

Manuela trouxe a experiência do Carrapicho Virtual, coletivo de educomunicação do Vale do Salitre em Juazeiro, que está presente nas mídias sociais Facebook, Instagram e YouTube. A jovem destacou a importância de ocupar as mídias e de valorizar o que é local “A gente tem pessoas ocupando as mídias sociais, rostos diferentes, cabelos diferentes … sotaques do Nordeste pautando coisas que precisam ser ditas. Da minha comunidade posso pautar algo que é importante, mas que não vai sair no jornal”.

Além disso, pontuou que a educomunicação e a comunicação popular são importantes para combater a desinformação, inclusive, as que vêm sendo difundidas há anos sobre o Semiárido. “Quando a gente começa a discutir comunicação popular e educomunicação, a gente começa a se questionar por que o Semiárido é tido como um lugar seco, um lugar sem vida, um lugar que as pessoas têm que sair dele. Então, isso é uma desinformação perversa e que foi colocada para as pessoas … uma tentativa de inferiorizar o Nordeste”, explicou Manuela.

Nesse sentido, Patrícia Paixão frisou que “A desinformação sempre foi combatida na/pela comunicação popular, porque é a comunicação que não tem mentira, que é feita horizontalmente, participativamente, com diversidade. Então, essa comunicação não poderia ser um instrumento da desinformação, pelo contrário”.

No Brasil de tantas diversidades, os meios de comunicação estão concentrados nas mãos de uma pequena parcela da sociedade. São os donos da mídia no país que decidem quais informações devem ou não ser levadas para a população e muitos desses conteúdos são manipulados a partir dos interesses econômicos e políticos dos meios de comunicação oligopolizados. “Às vezes o que a gente está presenciando do chamado Fake News é edições que são tendenciosas, um título adjetivado que não condiz com o texto da matéria ou reportagem, às vezes é tirar uma matéria real de um contexto antigo e trazer para o contexto atual que vai virar uma informação falsa”, exemplifica Patrícia.

Um dos caminhos para contrapor essa realidade é o fortalecimento da comunicação popular que atua também no combate à desinformação. Assim, o evento realizado de forma virtual, consiste em uma das estratégias para promover debates e reflexões sobre a comunicação popular e comunitária, a democratização da comunicação, a educomunicação e os desafios de fazer comunicação em tempos de pandemia.

Quem quiser conferir, pode assistir em: https://www.youtube.com/watch?v=1qf497DilWs&t=1814s

Mês da Comunicação Popular

O mês da comunicação popular é uma iniciativa do Pró-Semiárido, projeto do Governo do Estado, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e tem como objetivo instrumentalizar jovens, mulheres e técnicos/as em ferramentas de comunicação, promover debates e reflexões sobre comunicação popular e comunitária, democratização da comunicação; o papel da educomunicação e dos desafios de fazer comunicação na pandemia.

O Mês da Comunicação Popular continuará com a realização de seminários e oficinas que serão realizadas até o final do mês de agosto. A ação conta com o apoio do Instituto Regional da Pequena Agropecuária (Irpaa); Associação de Assistência Técnica e Assessoria aos Trabalhadores Rurais e Movimentos Populares (Cactus); Cooperativa de Trabalho e Assistência a Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (Cofaspi); Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (Sasop), além do Departamento de Formação de Órgãos Colegiados (DFOC), Rede Educom e com os jovens comunicadores e comunicadoras do coletivo de Comunicação Popular Conexão JC. ascom.