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A importância da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, para a região

“Sua chegada proporciona uma maior fomentação estrutural sobre a reflexiva realidade do semiárido brasileiro”. *Por Gênesis Naum de Farias

“Todo mundo tem que viver uma grande paixão

e uma possibilidade de revolução”.

Marilene Chauí

 

Há exatos doze anos, mais precisamente em meados de setembro, escrevi uma matéria jornalística que levantava uma bandeira chamando todos para abraçar a luta dos Professores e Alunos do antigo Cefet/Petrolina, hoje IF–Sertão, pela criação da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Naquele tempo, eu me fazia portador da representação estudantil; foi uma grande batalha e vencemos porque éramos encorajados pelo sonho da Universidade no Sertão. O sonho se concretizou, vencemos a quebra de braços levando ao Congresso Nacional quase setenta mil assinaturas; manifesto assinado por pessoas simples que acreditaram na possibilidade de poder sonhar com uma Educação de qualidade bem próxima de todos, ao alcance dos mais despossuídos financeiramente, pois universidade no litoral era coisa para poucos. Vencemos e conseguimos ganhar a opinião pública, fazendo dela o arauto para a grande revolução que se revelava. Porém, essa luta por Educação e qualidade de vida não deve morrer, visto que é necessário que o cidadão atente-se para questões maiores e continue na vigilância social da luta por direitos e garantias.

O momento é de oferecer parabéns a todos que perderam seus inúmeros finais de semana correndo nas ruas com os alunos para colher assinaturas, dar palestras, oferecer informações, participar da conquista que estaria por vir, pois a luta atingiu os objetivos pretendidos fazendo com que hoje a Universidade Federal do Vale do São Francisco seja de todos e pertença a um sertão esquecido que possui fronteiras em três Estados da Federação. É importante lembrar que a mesma pertence ao Piauí, pertence a Pernambuco e pertence a Bahia.

Neste instante, saúdo todos os cidadãos que se dispuseram a colocar suas assinaturas no papel da nossa pequena revolução. É com muito orgulho que devemos olhar para esta Universidade, porque ela foi fruto de muitos sonhos, de muitas perdas e baixas, de muitas noites em claro, de muitas lágrimas vertidas, de muitas palavras ditas para informar, para debater, para questionar, para gritar vitória quando o Presidente da República aprovou o projeto final.

Essa já era uma reivindicação antiga, feita pelos ribeirinhos e, contemplava a todos de forma unânime; era necessária para alavancar não só o desenvolvimento estético das cidades do Grande Vale, mas provocar mudanças, impactos, desenvolvimento. A Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, como carinhosamente conhecemos é isto, um feito de universalidade que se reflete na formação dos sujeitos, se reflete na Educação, na reelaboração de culturas, na mudança de mentalidade. Portanto, a sua chegada proporciona uma maior fomentação estrutural sobre a reflexiva realidade do semiárido brasileiro. Por isso da importância do momento, de envolver sistematicamente a sociedade sanfranciscana na celebração de um acontecimento histórico.

O papel da Universidade no contexto em que está inserida vem proporcionar uma maior socialização nas divisas culturais, ampliando experiências de educação, trabalhando para ampliar as perspectivas sócio-educacionais porque suas ações com pesquisa, extensão e ensino estão voltadas para a realidade sócio-política-economica-cultural do sertão nordestino. Sendo ela uma instituição de ensino superior que congrega um conjunto de ações para a fomentação das novas especialidades científicas e profissionais, que tem função precípua na garantia de manutenção do progresso para os diversos ramos do conhecimento produzido nas salas de aula.

Em geral, a Educação nestes termos tende a ser benéfica para todos, visto que nem sempre ela foi tão bem facilitada pelas políticas públicas que possuíam objetivos claros na domesticação cultural, no amesquinhamento humano, na agressão estética e moral, na violência do forte sobre o mais simples. Ao perceber que somente os processos formativos podem capacitar e libertar os cidadãos da opressão vê-se a necessidade de mais escolas, de mais qualidade de vida, de mais emprego, de mais possibilidades. Estas, porém surgem quando uma escola de qualidade é oferecida.

Nesta Universidade vi e vivia miragem sedutora da ascensão social que é como o organismo social da escola é capaz de atrair e transformar o indivíduo. A mesma escola, que atrai o indivíduo por uma miragem sedutora, produz um indivíduo que anseia por informação e autonomia, por um mundo admirado, desejado, quando em si é subjugado por um mundo de oportunidades que está do outro lado do mundo.

Nesta Universidade fui feliz em minhas grandes verdades. Fui planetário, elegante, eloqüente, majestoso, iluminado, fragmentado, desintegrado, unificado, democrático, intolerante, amado, odiado e diferenciado. Agora preciso ensinar os meus alunos a buscarem os sentidos do ser, pois ela me formou para isso; também preciso ensiná-los a conviver, preciso ensinar a fazer para que as ações propositivas da formação que tive gerem transformações e evoluções íntimas em cada um; onde o global e o local sejam relevantes para a própria construção de si e do sujeito histórico em cada um.

Nos bancos desta Universidade aprendi a ser um homem melhor e ocupei um lugar social; fui ético com meus princípios e ensinei compreensões. Aprendi a fazer e ressignifiquei os espaços; enfrentei minhas próprias incertezas históricas; compreendi minha identidade terrena e fui sistêmico, ordenado, desordenado. Afinal, estudei e refiz novos caminhos.

O que me reserva agora nesta fronteira imaginária? Sei que precisamos acreditar na relevância destes doze anos de conquistas; precisamos celebrar os significados da conquista e encontrar sentido em outras experiências de aprendizagem para transpormos mais doze anos de vitórias.

Faz-se urgente, sermos agentes de nossas próprias transformações culturais; o presente que hora se celebra é de todos, pois possui uma linguagem atemporal e já sonha com mais outros doze vezes doze na esperança de modificar a sociedade que convive com a indiferença num mundo de esperanças, trabalho e oportunidades para todos. Sartre nos lembra que “O importante não é saber o que fizeram do Homem; mas saber o que ele faz daquilo que fizeram dele”. Parabéns UNIVASF pelos seus treze anos de emancipação científica e cultural.

 

*Gênesis Naum de Farias é Professor da Universidade Estadual do Piauí – UESPI/ e Coordenador do Núcleo de Estudos Foucaultiano