Ébano

25 de Julho: dia da mulher negra latino-americana e caribenha

No mês que encerrou ontem, uma data foi reservada para ‘reverenciar e dar visibilidade a emancipação do movimento de mulheres negras e fortalecer a luta contra o racismo aliado à opressão de gênero.’ Por Ivana Freitas

A memória bravia lança o leme:
Recordar é preciso.
Conceição Evaristo

Reescrever, rememorar e retomar o histórico de luta e resistência das mulheres negras na América Latina e no Caribe é um trabalho de reinvenção que consiste em escavar e fazer emergir relatos historicamente silenciados, e ao mesmo tempo não desprezar as inevitáveis transformações que esses relatos e essas memórias sofreram no processo da diáspora e no transcorrer do tempo. Dessa forma, a reescrita da história tendo a mulher negra como protagonista e sujeito é um exercício de luta contra a morte, uma forma de eternizar e ressignificar o passado no presente buscando intervir nas formas de representação da contemporaneidade e se assenhorar de formas de poder através do discurso.

A memória tecida não somente através da experiência individual, mas também em consonância com relatos diversos potencializa o exercício da memória como exercício de poder que rasura o histórico controle oficial de narrativas. A escolha de outras datas a serem lembradas ou comemoradas que não as já eleitas pelos relatos hegemônicos também caracteriza uma estratégia importante no ato de escrever a própria história.   Referendar a celebração de outras datas que são simbólicas para a comunidade negra é instaurar uma simbologia que possibilita um recomeço.

Construir, debater, lembrar, celebrar o 25 de julho é reverenciar e dar visibilidade a emancipação do movimento de mulheres negras e fortalecer a luta contra o racismo aliado à opressão de gênero. Não deixar essa data passar em branco é contribuir para o empoderamento das mulheres negras como protagonistas em diferentes países na luta pela garantia e ampliação do acesso a direitos historicamente negados. Nesse sentido, os Movimentos Antirracistas do Vale – MAV – parabenizam as mulheres negras e reafirmam o seu compromisso cotidiano de construir uma nova ordem simbólica que propõe a quebra dos elos das correntes do racismo e do machismo. Salve Luiza Mahin, Teresa do Quariterê, Zeferina, Maria Felipa, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Luiza Bairros e tantas outras que existem e resistem com as gingas das Nzingas. Avante!

 

* Ivana Freitas é Integrante dos Movimentos Antirracistas do Vale. Professora do IF-BA (Instituto Federal da Bahia – Campus Juazeiro). Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia – UFBA.